Brasil República

1889 a 1985: República Velha, Era Vargas, democracia de 1946 e ditadura militar — com Canudos, Chibata, 1930 e 1964.

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15 de novembro de 1889

República Velha Sudeste Política e instituições

Proclamação da República

Um golpe militar no Rio depôs Pedro II e instituiu o Governo Provisório de Deodoro. Não houve plebiscito. A adesão das províncias foi arranjada depois. A República nasceu sem povo na rua em escala de revolução — e com o povo negro recém-liberto sem assento.

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Contexto histórico

Positivistas, fazendeiros ressentidos e a oficialidade convergiram. A família imperial partiu para o exílio. O 15 de novembro foi feriado antes de ser consenso.

Personagens e grupos

Deodoro da Fonseca; Benjamim Constant; Quintino Bocaiúva; Pedro II e Isabel; a tropa da cidade.

Localização

Rio de Janeiro; adesões provinciais nos dias seguintes.

Causas

Questão militar, abolição, ideário republicano e desgaste dinástico.

Consequências

Constituição de 1891, federalismo oligárquico e uma memória cívica em disputa.

Importância histórica

Mudança de forma de Estado que abre o Brasil republicano.

Fontes consultadas

  • Atos do Governo Provisório — Arquivo Nacional
  • Memória da Proclamação — Museu da República / CPDOC

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24 de fevereiro de 1891

República Velha Âmbito nacional Política e instituições

Constituição de 1891: federação, presidencialismo e voto restrito

A primeira Constituição republicana organizou um Brasil federativo, laico e presidencial. O Senado e os estados ganharam peso. Mulheres, analfabetos e mendigos permaneceram fora do voto. O texto abriu a República Velha.

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Contexto histórico

Rui Barbosa e os constituintes importaram moldes norte-americanos para um país de coronéis. O laicismo afastou a Igreja do padroado, sem criar Estado de bem-estar.

Personagens e grupos

Constituintes de 1891; Rui Barbosa; Deodoro, que logo chocaria com o Congresso.

Localização

Rio de Janeiro, Congresso Nacional.

Causas

Necessidade de legalizar o golpe de 1889 e de acomodar as oligarquias estaduais.

Consequências

Política dos governadores; revoltas contra o federalismo real, que era o dos estados fortes.

Importância histórica

Arquitetura jurídica da República Velha.

Fontes consultadas

  • Texto constitucional de 1891 — Câmara / Arquivo Nacional
  • História constitucional republicana — CPDOC

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1893–1894

República Velha Sudeste Revoltas e conflitos

Revolta da Armada

Parte da Marinha rebelou-se contra Floriano Peixoto no Rio, em articulação com a Revolução Federalista no Sul. A capital viveu bombardeios e pânico. A derrota consolidou o florianismo.

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Contexto histórico

A jovem República quase se quebrou entre Exército e Marinha, entre o Rio e os estados. O episódio explica o culto a Floriano como 'marechal de ferro'.

Personagens e grupos

Almirantes rebeldes; Floriano Peixoto; federalistas gaúchos; população da cidade sitiada.

Localização

Baía de Guanabara e litoral; conexão com o Sul.

Causas

Legalidade de Floriano, tensões corporativas e a guerra no Rio Grande.

Consequências

Fortalecimento do Executivo militarizado; memória de uma República que se impõe à bala.

Importância histórica

Maior crise armada da capital na primeira década republicana.

Fontes consultadas

  • Partes e jornais de 1893–1894 — Arquivo Nacional / Biblioteca Nacional

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1896–1897

República Velha Nordeste Revoltas e conflitos

Guerra de Canudos

O arraial de Belo Monte, liderado por Antônio Conselheiro, foi destruído pelo Exército após sucessivas expedições. Milhares morreram. A República leu o sertão como fanatismo monarquista; Euclides da Cunha complexificou e, ainda assim, racializou o relato. Pesquisas posteriores devolveram agência aos conselheiristas e questionaram números e motivos.

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Contexto histórico

Canudos era comunidade de sertanejos, beatos e desvalidos, não um quartel dinástico. A ameaça que o governo viu misturava imposto, honra militar ferida e pânico de imprensa.

Personagens e grupos

Antônio Conselheiro; jagunços e famílias do arraial; oficiais das expedições; Euclides da Cunha como narrador.

Localização

Canudos, sertão da Bahia.

Causas

Seca, imposto, religiosidade popular e a decisão de Brasília... do Rio de tratar o arraial como caso de polícia nacional.

Consequências

Massacre; Os sertões; um paradigma de como a República trata o interior.

Importância histórica

Maior chacina da Primeira República e texto fundador da reflexão sobre o Brasil profundo.

Fontes consultadas

  • Relatórios militares e Os sertões — Biblioteca Nacional / Arquivo do Exército
  • Historiografia de Canudos — UFBA / Unicamp

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c. 1898–1930

República Velha Âmbito nacional Política e instituições

Política dos governadores e o arranjo do café com leite

Campos Sales sistematizou a troca: o presidente reconhecia as oligarquias estaduais, que lhe devolviam bancadas fiéis. São Paulo e Minas gravitavam o centro; outros estados negociavam sobras. O voto era aberto e a fraude, rotina.

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Contexto histórico

'Café com leite' é esquema didático, não lei física. Houve presidentes de outros estados e rupturas. Ainda assim, o eixo cafeicultor-mineiro organizou a Primeira República.

Personagens e grupos

Campos Sales; coronéis; eleitores de cabresto; opositores civis e tenentes.

Localização

Estados da federação, com polo em SP e MG.

Causas

Constituição de 1891 e a economia do café.

Consequências

Tenentismo, 1930 e o descrédito do liberalismo oligárquico.

Importância histórica

Gramática do poder na República Velha.

Fontes consultadas

  • Correspondência de Campos Sales e análises — CPDOC / Arquivo Nacional

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10–16 de novembro de 1904

República Velha Sudeste Revoltas e conflitos

Revolta da Vacina no Rio de Janeiro

A obrigatoriedade da vacinação antivariólica, somada às reformas urbanas que expulsavam pobres, inflamou o Rio. Houve barricadas, morte e o recuo tático da obrigatoriedade. O episódio não é só 'ignorância': é política do corpo e da cidade.

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Contexto histórico

Oswaldo Cruz e Pereira Passos personificam higiene e bota-abaixo. A historiografia recente ouve os cortiços: havia medo real, rumor e também recusa de uma República que modernizava sem cidadania.

Personagens e grupos

Moradores dos cortiços; Oswaldo Cruz; Pereira Passos; militares envolvidos em motim paralelo.

Localização

Rio de Janeiro, áreas centrais e portuárias.

Causas

Lei da vacina obrigatória, destruição de habitações e o autoritarismo sanitário.

Consequências

Recuo da obrigatoriedade; continuidade da reforma urbana; memória ambígua da saúde pública.

Importância histórica

Encontro explosivo de ciência de Estado e cidade popular.

Fontes consultadas

  • Jornais de 1904 e relatórios da Diretoria Geral de Saúde Pública — Biblioteca Nacional / Arquivo Nacional
  • História da saúde — Fiocruz / Casa de Oswaldo Cruz

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22–26 de novembro de 1910

República Velha Sudeste Trabalho e movimentos sociais

Revolta da Chibata

Marinheiros, em maioria negros, tomaram encouraçados no Rio e exigiram o fim da chibata. João Cândido liderou. O governo prometeu e, depois, traiu: prisões, mortes e o apagamento do almirante negro. A Marinha só reconheceu tardiamente o crime da chibata.

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Contexto histórico

Os navios novos, comprados na Inglaterra, contrastavam com uma disciplina escravista. A revolta é capítulo da história do trabalho, da raça e das Forças Armadas.

Personagens e grupos

João Cândido Felisberto; marinheiros rebeldes; o ministério de Hermes da Fonseca.

Localização

Encouraçados na baía de Guanabara.

Causas

Tortura institucional, racismo e a consciência de que a República não cumprira 1888 a bordo.

Consequências

Fim formal da chibata; perseguição aos revoltosos; memória reivindicada no século XXI.

Importância histórica

Maior greve armada da Marinha e gesto negro de cidadania militar.

Fontes consultadas

  • Inquéritos da Revolta da Chibata — Arquivo da Marinha / Arquivo Nacional
  • Biografias de João Cândido — pesquisas acadêmicas / Museu Afro Brasil

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1912–1916

República Velha Sul Revoltas e conflitos

Guerra do Contestado

No planalto de Santa Catarina e Paraná, posseiros, agregados e monges populares enfrentaram companhias de terra, ferrovias e o Exército. O Contestado é Canudos do pinhão: messianismo, expropriação e massacre republicano.

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Contexto histórico

A Brazil Railway e a Lumber concentraram terras. Monges como José Maria organizaram a recusa. A República mandou tropa. Números de mortos são altos e debatidos.

Personagens e grupos

José Maria; sertanejos do Contestado; oficiais das expedições; agentes das companhias.

Localização

Contestado catarinense-paranaense.

Causas

Grilagem, ferrovia e a religiosidade de pobres sem terra.

Consequências

Desfecho militar; memória regional; paralelo obrigatório com Canudos.

Importância histórica

Maior guerra social do Sul na Primeira República.

Fontes consultadas

  • Relatórios militares e estudos do Contestado — Arquivo Nacional / UFSC

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1917

República Velha Sudeste Trabalho e movimentos sociais

Greve geral de 1917 em São Paulo

Operários — muitos imigrantes, muitas mulheres e menores — paralisaram fábricas após a morte de um jovem trabalhador. A greve se generalizou. Houve ganhos parciais de salário e uma demonização anarquista pela imprensa e pela polícia.

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Contexto histórico

A Primeira Guerra inflacionou preços. O anarquismo e o socialismo italianos e espanhóis circulavam nos bairros. O Estado respondeu com deportação de 'indesejáveis'.

Personagens e grupos

Tecelãs e metalúrgicos; militantes anarquistas; o patronato paulista; a Força Pública.

Localização

São Paulo e, em ondas, outras cidades.

Causas

Carestia, jornadas extenuantes e redes operárias transnacionais.

Consequências

Ensaio de legislação social posterior; a imagem do imigrante perigoso; escola de organização que 1930 herdaria para controlar.

Importância histórica

Marco do movimento operário urbano no Brasil.

Fontes consultadas

  • Jornais operários e inquéritos — Arquivo do Estado de SP / Biblioteca Nacional
  • História do trabalho — Unicamp

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13–17 de fevereiro de 1922

República Velha Sudeste Cultura e ideias

Semana de Arte Moderna de 1922

No Teatro Municipal de São Paulo, concertos, exposições e conferências afirmaram um programa de atualização estética. O evento foi de elite; seu mito posterior o tornou origem do Brasil moderno. Havia outros modernismos — no Recife, no Rio, nas revistas — e havia um Brasil popular que não comprou ingresso.

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Contexto histórico

Centenário da Independência. Café, mecenas e jovens letrados. A Semana não 'inventou' a nação; disputou o gosto da oligarquia e, depois, o cânone escolar.

Personagens e grupos

Mário de Andrade; Oswald de Andrade; Anita Malfatti; Tarsila (no ciclo, não necessariamente naquelas noites); Villa-Lobos; o público vaiado e vaiador.

Localização

Teatro Municipal de São Paulo.

Causas

Contato com vanguardas, o desejo de um Brasil 'autêntico' e o mecenato paulista.

Consequências

Antropofagia, modernismo de Estado nos anos 1930 e um cânone que ainda ofusca modernismos negros e regionais.

Importância histórica

Marco cultural do século XX — a ser relativizado como festa de classe e de cidade.

Fontes consultadas

  • Catálogos e imprensa de 1922 — Biblioteca Nacional / arquivo do Municipal
  • Crítica ao mito da Semana — USP / Unicamp

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1922–1927

República Velha Âmbito nacional Revoltas e conflitos

Tenentismo: 18 do Forte, São Paulo 1924 e a Coluna

Oficiais jovens rebelaram-se contra a política oligárquica. O forte de Copacabana em 1922, a revolta paulista de 1924 e a Coluna Prestes-Miguel Costa (1925–1927) espalharam a crise da República Velha pelo interior.

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Contexto histórico

O tenentismo não era um partido. Havia autoritários, liberais e, em Prestes, um caminho à esquerda. Unia-os o nojo da fraude e o gosto da ação militar.

Personagens e grupos

Os dezoito do forte; Isidoro Dias Lopes; Luís Carlos Prestes; Miguel Costa; Siqueira Campos.

Localização

Rio, São Paulo e o interior percorrido pela Coluna.

Causas

Fraude eleitoral, crise militar e o exemplo das revoltas mundiais do pós-guerra.

Consequências

Prestígio de Prestes; o 1930 colheria tenentes como tropa e como mito.

Importância histórica

Braço armado da crise da Primeira República.

Fontes consultadas

  • Relatos da Coluna e inquéritos — Arquivo Nacional / CPDOC

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1925–1927

República Velha Centro-Oeste Revoltas e conflitos

Coluna Prestes-Miguel Costa

A marcha de milhares de quilômetros pelo interior evitou batalhas decisivas e fez propaganda armada contra o governo. Não tomou o poder. Tornou Prestes um mito nacional e, depois, um dirigente comunista.

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Contexto histórico

A Coluna passou por estados pobres, sem se confundir com as pautas camponesas locais. Essa distância importa para não mitificar demais.

Personagens e grupos

Luís Carlos Prestes; Miguel Costa; soldados da coluna; populações do sertão atravessado.

Localização

Centro-Oeste, Norte e Nordeste interioranos — um itinerário, não um ponto.

Causas

Derrota relativa em São Paulo e a opção pela guerra de movimento.

Consequências

Desgaste de Washington Luís; aura de Prestes; escola de oficiais rebeldes.

Importância histórica

Maior marcha militar rebelde do século XX brasileiro.

Fontes consultadas

  • Memórias e partes da Coluna — CPDOC / Arquivo Nacional

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1928

República Velha Sudeste Cultura e ideias

Manifesto Antropófago e o modernismo em revista

Oswald de Andrade propôs devorar a cultura europeia para produzir diferença brasileira. Tarsila pintava; revistas circulavam. A antropofagia é ideia potente e, ao mesmo tempo, metáfora de uma elite que falava em nome do 'índio' sem os povos indígenas na redação.

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Contexto histórico

O manifesto dialoga com 1922 e com o primitivismo europeu. Sua fortuna crítica explode nos anos 1960–70 e de novo no século XXI, com correções decoloniais.

Personagens e grupos

Oswald de Andrade; Tarsila do Amaral; Raul Bopp; leitores das revistas.

Localização

São Paulo e o circuito letrado.

Causas

Amadurecimento modernista e o gesto de Tarsila em Abaporu.

Consequências

Vocabulário duradouro da cultura brasileira; também um alerta sobre quem pode 'devorar' quem.

Importância histórica

Texto-chave das ideias estéticas do século XX no Brasil.

Fontes consultadas

  • Revista de Antropofagia — Biblioteca Nacional / edições críticas

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1930

Era Vargas Âmbito nacional Política e instituições

Revolução de 1930

A crise de 1929, a cisão oligárquica e o assassinato de João Pessoa precipitam a deposição de Washington Luís. Getúlio Vargas chega ao poder pela Aliança Liberal e pelos tenentes. Encerra-se a República Velha. Não se instaura, automaticamente, democracia de massas.

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Contexto histórico

Revolução é o nome que os vencedores deram ao movimento. Houve guerra limitada, adesões e um governo provisório que fechou o Congresso. O café perdeu o monopólio da política nacional.

Personagens e grupos

Getúlio Vargas; os tenentes; oligarcas gaúchos e mineiros da Aliança; Washington Luís deposto.

Localização

Rio Grande do Sul, Minas, Paraíba e a marcha rumo ao Rio.

Causas

Quebra do acordo sucessório, crise mundial e o tenentismo.

Consequências

Era Vargas; interventores; a questão social como caso de Estado.

Importância histórica

Ruptura de regime que organiza o Brasil até 1945 — e ecoa depois.

Fontes consultadas

  • Documentos de 1930 — CPDOC / Arquivo Nacional
  • Interpretações da Revolução — historiografia clássica e revisões

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24 de fevereiro de 1932

Era Vargas Âmbito nacional Mulheres e gênero

Código Eleitoral de 1932 e o voto feminino

O Código instituiu Justiça Eleitoral, voto secreto e o voto feminino — este já ensaiado em decretos locais e na campanha de Bertha Lutz. A prática continuou limitada por analfabetismo e por classe. Ainda assim, é marco da cidadania das mulheres.

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Contexto histórico

O sufragismo brasileiro foi liderado por mulheres letradas. Trabalhadoras e camponesas entrariam depois, e de outro modo, na política. 1932 não esgota a história das mulheres.

Personagens e grupos

Bertha Lutz; sufragistas da FBPF; Getúlio que sanciona; eleitoras das primeiras listas.

Localização

Vigência nacional; a campanha tivera polo no Rio.

Causas

Mobilização sufragista, o desejo de legitimar 1930 e o exemplo internacional.

Consequências

Mulheres na Constituinte de 1934; a cidadania política feminina como fato, ainda que incompleto.

Importância histórica

Maior salto legal de gênero na Primeira República tardia / Era Vargas inicial.

Fontes consultadas

  • Código Eleitoral de 1932 — TSE / Arquivo Nacional
  • Arquivo Bertha Lutz — Arquivo Nacional

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1932

Era Vargas Sudeste Revoltas e conflitos

Revolução Constitucionalista de 1932

São Paulo tomou armas contra o governo provisório, pedindo Constituição. Houve mortos, MMDC e uma derrota militar que, paradoxalmente, acelerou a Constituinte de 1933–1934. A memória paulista transformou o conflito em identidade estadual.

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Contexto histórico

Mistura liberalismo constitucional e ressentimento da oligarquia cafeeira. Voluntários populares também morreram; não foi só guerra de barões.

Personagens e grupos

Soldados e voluntários paulistas; interventores; o governo Vargas; as mães e viúvas do MMDC na memória.

Localização

São Paulo e frentes em Minas e no litoral.

Causas

Centralização de 1930 e a demanda de legalidade constitucional.

Consequências

Constituinte; mito de 9 de julho; ferida entre SP e a União.

Importância histórica

Maior guerra civil do século XX no Centro-Sul.

Fontes consultadas

  • Documentos de 1932 — Arquivo Público de SP / CPDOC

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16 de julho de 1934

Era Vargas Âmbito nacional Política e instituições

Constituição de 1934

A Carta de 1934 trouxe direitos sociais, voto feminino consolidado e um Legislativo que elegeu Vargas presidente. Durou pouco: o Estado Novo a suspendeu. Ainda assim, antecipou o vocabulário trabalhista.

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Contexto histórico

Foi compromisso entre tenentes, oligarquias e uma esquerda ainda frágil. A justiça eleitoral saiu fortalecida.

Personagens e grupos

Constituintes de 1933–1934; Carlota Pereira de Queirós, primeira deputada; Vargas.

Localização

Rio de Janeiro.

Causas

Promessa de 1930 e a pressão de 1932.

Consequências

Base discursiva de direitos; o golpe de 1937 a interrompeu.

Importância histórica

Experiência constitucional social antes do Estado Novo.

Fontes consultadas

  • Texto de 1934 — Câmara / CPDOC

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Novembro de 1935

Era Vargas Âmbito nacional Revoltas e conflitos

Levante de 1935 e a repressão aos comunistas

Insurreições em Natal, Recife e Rio, ligadas à ANL e ao PCB, falharam. O governo usou o episódio para ampliar o estado de exceção, que desembocaria em 1937. A palavra 'Intentona' é o nome dos vencedores.

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Contexto histórico

Prestes e a Internacional Comunista apostaram em um Brasil que não estava em véspera de soviete. A repressão atingiu militantes, intelectuais e, depois, qualquer oposição.

Personagens e grupos

Luís Carlos Prestes; Olga Benário; militares rebeldes; a polícia política de Filinto Müller.

Localização

Rio Grande do Norte, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Causas

Radicalização da ANL, fechamento do espaço legal e cálculo da IC.

Consequências

Pretexto do Estado Novo; prisões; o martírio de Olga deportada.

Importância histórica

Dobradiça entre a legalidade de 1934 e a ditadura de 1937.

Fontes consultadas

  • Processos e a Lei de Segurança — Arquivo Nacional / CPDOC

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1936–1942

Era Vargas Atlântico / conexão externa Mulheres e gênero

Olga Benário, deportação e o campo nazista

Olga Benário, militante alemã-judaica, foi deportada grávida pelo governo Vargas e morreu em Bernhard. O caso expõe a colaboração repressiva transnacional e o destino de mulheres na política clandestina.

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Contexto histórico

A deportação ocorreu apesar de apelos. É capítulo brasileiro do horror europeu, não um apêndice.

Personagens e grupos

Olga Benário; Luís Carlos Prestes; Anita Leocádia Prestes criança; autoridades brasileiras da deportação.

Localização

Rio; navio de deportação; Alemanha nazista.

Causas

Anti-comunismo de Estado e o acordo prático com a polícia alemã.

Consequências

Memória de esquerda e de gênero; mancha permanente da diplomacia de 1936.

Importância histórica

Rosto feminino da repressão varguista em chave internacional.

Fontes consultadas

  • Processos de deportação — Arquivo Nacional
  • Biografias de Olga Benário — pesquisas históricas

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10 de novembro de 1937

Era Vargas Âmbito nacional Política e instituições

Estado Novo

Vargas fechou o Congresso, outorgou a Constituição de 1937 e instituiu uma ditadura com polícia política, propaganda (DIP) e discurso de nação corporativa. O Plano Cohen, falso, serviu de pretexto. O regime durou até 1945.

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Contexto histórico

O Estado Novo não é cópia simples do fascismo italiano, embora dialogue com o autoritarismo europeu. Centralizou, industrializou e silenciou. A CLT e a censura nasceram no mesmo teto.

Personagens e grupos

Getúlio Vargas; Francisco Campos; Filinto Müller; Lourival Fontes no DIP; opositores presos.

Localização

Rio de Janeiro como vitrine; o país sob interventores.

Causas

Medo do comunismo, cálculo de Vargas e apoio de partes das Forças Armadas e do empresariado.

Consequências

Legado trabalhista e legado policial; 1945 e a sombra de 1964 em outra chave.

Importância histórica

Ditadura fundadora do Brasil contemporâneo de massas.

Fontes consultadas

  • Constituição de 1937 e fundos do DIP — Arquivo Nacional / CPDOC

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1º de maio de 1943

Era Vargas Âmbito nacional Trabalho e movimentos sociais

Consolidação das Leis do Trabalho

A CLT reuniu normas de jornada, férias, carteira e sindicatos sob tutela estatal. Incluiu milhões de urbanos e excluiu, na prática, vastos setores rurais. É vitória regulatória e instrumento de controle.

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Contexto histórico

O trabalhismo varguista temia a greve de 1917 tanto quanto o patronato. Direitos vieram com peleguismo possível. O campo esperaria o Estatuto de 1963 e as lutas posteriores.

Personagens e grupos

Ministros do Trabalho; juristas da consolidação; operários urbanos; trabalhadores rurais excluídos.

Localização

Vigência nacional, com eficácia urbana maior.

Causas

Industrialização, pressão operária e o projeto corporativo do Estado Novo.

Consequências

Cultura de direitos trabalhistas; o sindicato atrelado; a pauta rural em aberto.

Importância histórica

Documento social mais duradouro da Era Vargas.

Fontes consultadas

  • Decreto-lei da CLT — Arquivo Nacional / Ministério do Trabalho em séries históricas
  • História do trabalhismo — Unicamp / CPDOC

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1942–1945

Era Vargas Atlântico / conexão externa Política e instituições

Brasil na Segunda Guerra e a Força Expedicionária

Após submarinos alemães no litoral, o Brasil declarou guerra ao Eixo. A FEB combateu na Itália. A participação alimentou a contradição do Estado Novo: lutar contra ditaduras lá e mantê-la aqui.

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Contexto histórico

Houve também o esforço industrial e o alinhamento com os EUA (bases no Nordeste). Pracinhas negros e brancos voltaram com prestígio e com perguntas políticas.

Personagens e grupos

Pracinhas da FEB; Getúlio; vítimas dos naufrágios no litoral; a população do 'esforço de guerra'.

Localização

Atlântico brasileiro; montes da Itália.

Causas

Ataques no litoral e a diplomacia aliada.

Consequências

Queda de Vargas em 1945; memória dos pracinhas; o Brasil no pós-guerra ocidental.

Importância histórica

Inserção militar do país no conflito mundial e acelerador da redemocratização de 1945.

Fontes consultadas

  • Arquivos da FEB — Arquivo do Exército / CPDOC
  • Naufrágios no litoral — Marinha / museus

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29 de outubro de 1945

Era Vargas Sudeste Política e instituições

Fim do Estado Novo e deposição de Vargas

Forças Armadas depuseram Vargas sob pressão liberal e do clima do pós-guerra. José Linhares conduziu a transição. Eleições levaram Dutra ao poder. Getúlio voltaria pelo voto em 1950.

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Contexto histórico

O queremismo mostrara que Vargas ainda tinha rua. 1945 não é antifascismo puro: é também arranjo das elites e do Exército.

Personagens e grupos

Getúlio; generais da deposição; Eurico Dutra; a opinião pública do 'depois da guerra'.

Localização

Rio de Janeiro.

Causas

Contradição da guerra, articulação liberal-militar e o cansaço da censura.

Consequências

Constituição de 1946; a República liberal-democrática até 1964.

Importância histórica

Abertura do período de 1946.

Fontes consultadas

  • Atos de 1945 — Arquivo Nacional / CPDOC

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18 de setembro de 1946

República de 1946 Âmbito nacional Política e instituições

Constituição de 1946

A Carta restabeleceu o Legislativo, direitos civis e o jogo partidário. Manteve limites — analfabetos sem voto — e conviveu com o anticomunismo da Guerra Fria. Foi o texto da democracia de 1946 a 1964.

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Contexto histórico

Não era a Constituição de 1988. Era um liberalismo de classe média e de partidos (PSD, UDN, PTB) que não incorporava plenamente o campo nem os favelados.

Personagens e grupos

Constituintes de 1946; Dutra; as bancadas do PSD-UDN-PTB.

Localização

Rio de Janeiro.

Causas

Fim da ditadura e a necessidade de reacomodar as elites no voto.

Consequências

Palco de Vargas 1950, JK, Jânio, Jango e do golpe de 1964.

Importância histórica

Marco jurídico da República liberal do pós-guerra.

Fontes consultadas

  • Texto de 1946 — Câmara / CPDOC

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24 de agosto de 1954

República de 1946 Sudeste Política e instituições

Morte de Getúlio Vargas

Cercado por uma crise política e pela pressão militar após o atentado da Tonelero, Vargas suicidou-se. A carta-testamento deslocou a rua contra a UDN. O fato é íntimo, político e memorial ao mesmo tempo.

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Contexto histórico

Debates persistem sobre o texto final da carta e sobre o grau de isolamento. O efeito público é indiscutível: Getúlio morto pesou mais que Getúlio sitiado.

Personagens e grupos

Getúlio Vargas; o entorno do palácio; Carlos Lacerda; a multidão do enterro.

Localização

Palácio do Catete, Rio de Janeiro.

Causas

Crise do segundo governo Vargas, denúncias e o ultimato militar.

Consequências

Derrota moral da campanha 'o mar de lama'; o caminho de JK; o trabalhismo como mito.

Importância histórica

Um dos acontecimentos políticos mais densos do século XX brasileiro.

Fontes consultadas

  • Carta-testamento e fundos do Catete — Museu da República / CPDOC

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1956–1961

República de 1946 Centro-Oeste Economia

Plano de Metas de Juscelino Kubitschek

JK prometeu cinquenta anos em cinco: energia, transporte, indústria de base e, no alvo simbólico, Brasília. O desenvolvimentismo trouxe crescimento, inflação e dívida. A capital no Cerrado reorganizou o mapa do poder.

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Contexto histórico

Houve oposição udnista e apoio do PSD-PTB. A indústria automobilística e as rodovias redesenharam o cotidiano. Os povos indígenas do Planalto pagaram parte do preço da nova capital.

Personagens e grupos

Juscelino Kubitschek; Israel Pinheiro; operários da Novacap; grupos indígenas deslocados.

Localização

Brasil — com ênfase no eixo Rio–SP–MG e no Planalto Central.

Causas

Projeto desenvolvimentista e a aliança eleitoral de 1955.

Consequências

Brasília; o rodoviarismo; um país mais urbano e mais endividado.

Importância histórica

Apogeu do desenvolvimentismo democrático do pós-guerra.

Fontes consultadas

  • Documentos do Plano de Metas — CPDOC / Arquivo Nacional
  • História de Brasília — Arquivo Público do DF

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21 de abril de 1960

República de 1946 Centro-Oeste Território

Inauguração de Brasília

A nova capital foi inaugurada no Planalto Central, em projeto de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, construída por candangos. Cumpriu um sonho oitocentista de interiorização e criou uma cidade-Estado de vidro, concreto e desigualdade imediata nas satélites.

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Contexto histórico

A transferência é ato político: afastar o governo do Rio das ruas e abrir o Centro-Oeste. Arqueologia e povos do cerrado foram atropelados pelo cronograma.

Personagens e grupos

Candangos; Lúcio Costa; Oscar Niemeyer; JK; populações do Planalto.

Localização

Brasília, Distrito Federal.

Causas

Metas de JK e a tradição de interiorizar a capital.

Consequências

Novo palco da República; o Rio perde o status de capital em 1960.

Importância histórica

Refundação espacial do Estado brasileiro no século XX.

Fontes consultadas

  • Projeto do Plano Piloto e inauguração — IPHAN / Arquivo de Brasília
  • História dos candangos — UnB

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1960 (publicação de Quarto de despejo)

República de 1946 Sudeste Cultura e ideias

Carolina Maria de Jesus e a escrita da favela

Carolina Maria de Jesus publicou o diário da favela do Canindé, best-seller que pôs a fome e o racismo no centro da cultura letrada. A fama foi breve e ambígua; a obra permaneceu. É acontecimento cultural e social, não só biografia.

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Contexto histórico

No governo JK, o Brasil da vitrine desenvolvimentista ganhou um contra-arquivo escrito por uma mulher negra catadora.

Personagens e grupos

Carolina Maria de Jesus; Audálio Dantas na mediação editorial; leitores de 1960.

Localização

Favela do Canindé, São Paulo.

Causas

A vida na favela e o gesto de escrever contra o apagamento.

Consequências

Um cânone possível da literatura brasileira feito de baixo; debates sobre edição e autoria mediada.

Importância histórica

Documento humano do Brasil urbano do século XX.

Fontes consultadas

  • Quarto de despejo e arquivos da autora — Biblioteca Nacional / pesquisas da USP

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agosto–setembro de 1961

República de 1946 Sul Política e instituições

Renúncia de Jânio e a Campanha da Legalidade

Jânio Quadros renunciou. Militares tentaram vetar João Goulart. Brizola e a cadeia da Legalidade no Rio Grande do Sul defenderam a posse. O parlamentarismo foi o compromisso. A crise antecipou 1964.

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Contexto histórico

A Legalidade foi vitória constitucional incompleta: Jango tomou posse amarrado. A opinião se polarizou entre reforma e golpe.

Personagens e grupos

Leonel Brizola; João Goulart; Jânio Quadros; o dispositivo militar do veto.

Localização

Porto Alegre, Brasília e as rádios da cadeia.

Causas

Renúncia súbita e o anti-janguismo das Forças Armadas e da UDN.

Consequências

Parlamentarismo provisório; radicalização subsequente; ensaio de 1964.

Importância histórica

Última grande vitória legalista antes do golpe.

Fontes consultadas

  • Pronunciamentos da Legalidade — CPDOC / arquivos do RS

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1963

República de 1946 Nordeste Trabalho e movimentos sociais

Estatuto do Trabalhador Rural e as Ligas Camponesas

O governo Jango tentou estender direitos ao campo. As Ligas Camponesas, no Nordeste, já organizavam posseiros e foreiros. A reação dos proprietários alimentou o golpe. O campo entrou na política nacional de forma explosiva.

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Contexto histórico

Francisco Julião e as Ligas não são o Estatuto, mas o mesmo clima. A Reforma Agrária como ameaça unificou golpistas.

Personagens e grupos

Trabalhadores rurais; Francisco Julião; Goulart; proprietários e o IBAD na campanha do medo.

Localização

Nordeste canavieiro e o Congresso em Brasília.

Causas

Exclusão histórica do rural na CLT e a mobilização camponesa.

Consequências

Pauta agrária no centro de 1964; repressão posterior às Ligas.

Importância histórica

Momento em que o Brasil agrário deixa de ser só coronel e passa a ser também liga.

Fontes consultadas

  • Lei do Estatuto e jornais das Ligas — Arquivo Nacional / CPDOC

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31 de março–1º de abril de 1964

Ditadura militar Âmbito nacional Política e instituições

Golpe de 1964 e a deposição de João Goulart

Um movimento militar, com apoio de partes do empresariado, da imprensa e da classe média mobilizada, depôs Jango. O nome 'revolução' foi o dos vencedores; 'golpe' é o termo da historiografia crítica e de documentos posteriores do próprio Estado em revisões. O regime durou até 1985.

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Contexto histórico

A Guerra Fria, o medo das reformas de base e a articulação civil-militar explicam o evento. Debates persistem sobre o grau de risco institucional real em 1964; não persiste, entre pesquisadores sérios, a tese de um simples contragolpe sem projeto de poder.

Personagens e grupos

João Goulart; o Alto-Comando; Castelo Branco; civis da conspiração; sindicatos e estudantes reprimidos.

Localização

Rio, Minas, São Paulo e Brasília — um golpe em rede.

Causas

Polarização, articulação golpista e o contexto da Guerra Fria.

Consequências

AI-1, cassações, e a ditadura que se agravaria em 1968.

Importância histórica

Ruptura democrática maior da segunda metade do século XX.

Fontes consultadas

  • Atos Institucionais e fundos do regime — Arquivo Nacional
  • Comissão Nacional da Verdade — relatório final
  • Interpretações de 1964 — CPDOC / USP / Unicamp

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1967–1969

Ditadura militar Âmbito nacional Cultura e ideias

Tropicália: música, choque e censura

Caetano, Gil, Os Mutantes e interlocutores misturaram bossa, rock e antropofagia em um Brasil já sob ditadura. O festival, o disco-manifesto e o exílio seguinte fazem da Tropicália um acontecimento estético-político, não um estilo só.

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Contexto histórico

1968 musical dialoga com o AI-5. A alegoria tropicalista irritou a esquerda nacional-popular e a direita moral. Esse duplo incômodo é o dado.

Personagens e grupos

Caetano Veloso; Gilberto Gil; Gal Costa; Torquato Neto; os Mutantes.

Localização

Salvador, São Paulo e os palcos televisivos do Rio.

Causas

Modernização cultural, a TV e a urgência de falar sob censura.

Consequências

Exílios; um vocabulário que ainda organiza debates de cultura brasileira.

Importância histórica

Marco da cultura sob a ditadura, em chave de invenção e de risco.

Fontes consultadas

  • Discos, entrevistas e imprensa de 1967–1969 — Biblioteca Nacional / MIS

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13 de dezembro de 1968

Ditadura militar Âmbito nacional Política e instituições

Ato Institucional n.º 5

O AI-5 autorizou fechar o Congresso, cassar, suspender habeas corpus em crimes políticos e institucionalizar a censura dura. É o instrumento jurídico do auge repressivo. Prefacia os anos de chumbo, a tortura sistemática e o milagre econômico em paralelo.

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Contexto histórico

O ato responde a 1968 — passeatas, o discurso de Márcio Moreira Alves, a recusa do Congresso em licenciar o deputado. O regime radicalizou para permanecer.

Personagens e grupos

Costa e Silva; o Conselho de Segurança; parlamentares cassados; a geração de 1968.

Localização

Brasília e o país sob o ato.

Causas

Crise política de 1968 e a opção da linha dura.

Consequências

Tortura institucional, clandestinidade da esquerda armada e um Congresso ornamental.

Importância histórica

Marco legal da ditadura em sua forma mais autoritária.

Fontes consultadas

  • Texto do AI-5 — Arquivo Nacional
  • Relatório da CNV sobre o auge repressivo — Comissão Nacional da Verdade

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c. 1968–1973

Ditadura militar Sudeste Economia

Milagre econômico e o avesso social

O ciclo de alto crescimento, sob Delfim Netto e o crédito externo, expandiu a indústria e o consumo de duráveis. Concentrou renda, endividou o país e conviveu com o AI-5. O choque do petróleo e a dívida dos anos 1980 fecharam a festa.

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Contexto histórico

Há debate sobre sustentabilidade e sobre o quanto o crescimento se deve à repressão salarial. Há consenso de que o 'milagre' não foi milagre para o andar de baixo.

Personagens e grupos

Técnicos do Ministério da Fazenda; operários sob arrocho; a nova classe média de automóvel.

Localização

Eixos industriais de SP, RJ e o Brasil urbano em expansão.

Causas

Capacidade ociosa, crédito internacional e um Estado que comprimiu o conflito sindical.

Consequências

Dívida externa; a crise da década perdida; a memória ambígua do 'crescimento'.

Importância histórica

Economia política da ditadura em sua vitrine.

Fontes consultadas

  • Séries do IBGE e do Banco Central em perspectiva histórica — IBGE / Bacen
  • Análises do milagre — Unicamp / FGV

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c. 1972–1975

Ditadura militar Norte Revoltas e conflitos

Guerrilha do Araguaia e a repressão no campo

Militantes do PCdoB tentaram uma guerrilha na região do Araguaia. O Exército esmagou o foco, com mortes, desaparecimentos e sigilo. Camponeses da região foram vítimas e, por vezes, guias forçados. O caso chegou a cortes internacionais décadas depois.

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Contexto histórico

Não foi o único foco armado; é o mais emblemático de guerra irregular no interior. A historiografia discute erros estratégicos da esquerda e crimes de Estado — os segundos comprovados por investigações posteriores.

Personagens e grupos

Guerrilheiros do PCdoB; camponeses do Bico do Papagaio; forças do Exército.

Localização

Sul do Pará, norte de Goiás/Tocantins e Maranhão — a região do Araguaia.

Causas

Opção da esquerda pela guerrilha rural e a doutrina de segurança nacional.

Consequências

Desaparecidos; o dever de memória; condenações internacionais pela omissão de informações.

Importância histórica

Símbolo da violência da ditadura fora das grandes cidades.

Fontes consultadas

  • Relatório da CNV — capítulo Araguaia — Comissão Nacional da Verdade
  • Decisões da Corte Interamericana — sintetizadas em relatórios oficiais

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1978

Ditadura militar Sudeste Direitos e cidadania

Fundação do Movimento Negro Unificado

Em São Paulo, militantes lançaram o MNU em ato público contra o racismo e a violência policial. O gesto recolhe tradições de irmandades, imprensa negra e o 20 de novembro. A ditadura ainda vigiava; o movimento falou mesmo assim.

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Contexto histórico

1978 é também greve metalúrgica no ABC. Raça e classe se encontram na crise do milagre.

Personagens e grupos

Militantes do MNU; famílias de vítimas da polícia; a imprensa negra.

Localização

São Paulo, Escadarias do Teatro Municipal no ato de lançamento.

Causas

Racismo persistente, mortes de jovens negros e a rearticulação da sociedade civil.

Consequências

Agenda do 20 de novembro; influência sobre 1988 e sobre políticas posteriores.

Importância histórica

Marco da reorganização política negra no final da ditadura.

Fontes consultadas

  • Memória do MNU — Arquivo Público / pesquisas de história do movimento negro
  • Imprensa negra — Biblioteca Nacional

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1978–1980

Ditadura militar Sudeste Trabalho e movimentos sociais

Greves do ABC e o novo sindicalismo

Metalúrgicos de São Bernardo e vizinhas paralisaram o coração industrial do milagre. Lula emergiu como liderança. A ditadura tentou intervir nos sindicatos. Nascia um polo da sociedade civil que pesaria nas Diretas e na Constituinte.

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Contexto histórico

O novo sindicalismo recusava o peleguismo da CLT tutelar. Não era o anarquismo de 1917; era outra escola, de massa e de fábrica fordista.

Personagens e grupos

Trabalhadores do ABC; Luiz Inácio Lula da Silva; intervenções do Ministério do Trabalho; comunidades eclesiais de apoio.

Localização

ABC paulista.

Causas

Arrocho, inflação e uma geração operária sem medo do AI-5 já desgastado.

Consequências

PT, CUT e um ator popular na transição.

Importância histórica

Maior onda grevista industrial do fim da ditadura.

Fontes consultadas

  • Cobertura e processos das greves — Arquivo do Estado de SP / CPDOC

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28 de agosto de 1979

Ditadura militar Âmbito nacional Direitos e cidadania

Lei de Anistia de 1979

A lei anistiou condenados políticos e foi interpretada, na prática, como escudo também para agentes da repressão. Essa dupla leitura divide famílias de mortos, tribunais e a Comissão da Verdade. A anistia permitiu voltas do exílio e não fechou a conta da memória.

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Contexto histórico

Foi peça da abertura 'lenta, gradual e segura'. Houve festa nos aeroportos e silêncio nos porões não revelados.

Personagens e grupos

Exilados que voltaram; familiares de mortos e desaparecidos; parlamentares da lei; militares.

Localização

Congresso Nacional; efeitos em todo o país.

Causas

Pressão da sociedade e o cálculo da transição controlada.

Consequências

Retorno de lideranças; impunidade debatida até hoje.

Importância histórica

Nó jurídico da justiça de transição brasileira.

Fontes consultadas

  • Lei n. 6683, de 1979 — Câmara
  • Avaliação na CNV — Comissão Nacional da Verdade

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